Carregar um carro elétrico em casa é possível mesmo sem uma wallbox, mas antes de ligar o veículo convém perceber se a instalação elétrica está preparada, quanto vai custar, quanto tempo demora e se é necessário aumentar a potência contratada.
- Comprei um carro elétrico. Tenho de me registar na DGEG?
- Posso carregar um carro elétrico em casa sem wallbox?
- Que tomada usar para carregar um carro elétrico em casa?
- Wallbox ou tomada: qual é a diferença?
- Quanto custa carregar um carro elétrico em casa?
- Vale a pena carregar durante a noite?
- É preciso aumentar a potência contratada?
- Quanto tempo demora a carregar um carro elétrico em casa?
- Preciso de carregar até aos 100% todas as noites?
- Quem pode instalar uma wallbox?
- Moro numa moradia. Preciso de autorização?
- E se morar num condomínio?
- A wallbox tem de ser registada na DGEG?
- Carregar em casa é mais barato do que na rua?
- O que verificar antes de começar a carregar em casa?
- Afinal, qual é a melhor solução?
Quem vive num condomínio tem ainda regras próprias a cumprir. E há outra dúvida comum para quem acabou de comprar um elétrico: é necessário fazer algum registo na DGEG?
Neste guia explicamos o essencial para carregar um carro elétrico em casa em Portugal, sem complicar o que pode ser simples.
Comprei um carro elétrico. Tenho de me registar na DGEG?
Não. Comprar e utilizar um carro elétrico não obriga o proprietário a fazer um registo pessoal na Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) apenas por possuir o veículo.
Também não precisa de qualquer registo especial como operador apenas para instalar uma wallbox em casa e carregar o seu próprio carro.
O que está sujeito a regras é sobretudo a instalação elétrica utilizada para o carregamento. A DGEG distingue os pontos privados das atividades profissionais e comerciais relacionadas com a instalação e operação de infraestruturas de carregamento.
Posso carregar um carro elétrico em casa sem wallbox?
Sim. Um carro elétrico pode ser carregado através de uma tomada doméstica, desde que tenha o cabo adequado e, sobretudo, que a instalação elétrica esteja em condições para suportar várias horas de utilização contínua.
Uma tomada convencional permite normalmente um carregamento de cerca de 2,3 kW, bastante mais lento do que uma wallbox.
A EDP refere que uma tomada deste tipo pode demorar 7 horas e meia ou mais para repor energia equivalente a cerca de 100 quilómetros de autonomia, dependendo naturalmente do veículo e do consumo. A empresa também alerta que muitas instalações domésticas não foram concebidas para cargas elevadas durante períodos tão prolongados.
Por isso, carregar numa tomada normal pode servir para utilização ocasional, mas quem pretende carregar o carro praticamente todos os dias deve avaliar a instalação com um profissional.
Que tomada usar para carregar um carro elétrico em casa?
Não é boa ideia escolher simplesmente a tomada mais próxima do lugar onde estaciona. Antes de utilizar regularmente uma tomada existente, devem ser verificados o estado da cablagem, a ligação à terra, as proteções elétricas e o circuito que alimenta aquela tomada.
O ACP refere a utilização de tomadas Schuko com ligação à terra para carregamento através do cabo apropriado, salientando também que estes adaptadores são normalmente limitados a cerca de 10 A por razões de segurança.
Extensões domésticas improvisadas não são uma solução adequada para carregar regularmente um veículo elétrico.
Se houver dúvidas sobre a instalação existente, a solução mais segura é pedir uma avaliação antes de começar a utilizá-la durante várias horas consecutivas.
Wallbox ou tomada: qual é a diferença?
Uma wallbox é um equipamento concebido especificamente para carregar veículos elétricos. Enquanto uma tomada doméstica trabalha normalmente perto dos 2,3 kW, existem carregadores domésticos de 3,7 kW, 7,4 kW, 11 kW e 22 kW, embora a potência realmente aproveitada dependa do carro e da instalação elétrica. A EDP indica que as soluções domésticas disponíveis no mercado podem ir dos 3,7 aos 22 kW.
Uma wallbox pode ainda oferecer funcionalidades como programação dos horários, acompanhamento dos consumos e gestão automática da potência.
Mas ter a wallbox mais potente não significa necessariamente carregar mais depressa. O próprio carregador interno do automóvel tem um limite. Se o carro aceitar apenas 7,4 kW em corrente alternada, ligá-lo a uma wallbox de 22 kW não fará com que receba os 22 kW.
Quanto custa carregar um carro elétrico em casa?
A conta mais simples é:
energia carregada (kWh) × preço da eletricidade (€/kWh)
Por exemplo, se precisar de colocar 40 kWh na bateria e pagar 0,20 € por kWh, o custo teórico da energia será:
40 × 0,20 € = 8 €
Na prática, existirá alguma energia perdida durante o processo, por isso o consumo medido na instalação poderá ser superior ao que efetivamente chegou à bateria.
Também é possível calcular aproximadamente o custo por 100 quilómetros.
Imagine um carro que consome 16 kWh/100 km e uma tarifa de 0,15 €/kWh:
16 × 0,15 € = 2,40 € por 100 km
O valor real depende do consumo do automóvel, do contrato de eletricidade e do horário em que é feito o carregamento.
É por isso que comparar apenas o tamanho da bateria não permite saber quanto custa utilizar um determinado carro elétrico.
Vale a pena carregar durante a noite?
Pode valer. Numa tarifa bi-horária, o preço do kWh pode ser diferente durante as horas de vazio.
Além disso, durante a noite normalmente há menos equipamentos ligados em casa. Isso significa que existe mais potência disponível para o automóvel.
A ERSE refere precisamente que quem carrega durante períodos de menor utilização, como durante a noite, pode não necessitar de aumentar a potência contratada.
É preciso aumentar a potência contratada?
Nem sempre. A ERSE indica que o carregamento lento de um carro elétrico necessita normalmente de uma potência entre 2,3 e 3,7 kVA.
Se o carro estiver a carregar enquanto utiliza simultaneamente forno, placa elétrica, aquecimento ou outros equipamentos de grande consumo, poderá ultrapassar a potência disponível.
Mas se carregar quando esses equipamentos estão desligados, pode conseguir manter o atual escalão.
Esta questão merece atenção porque aumentar a potência contratada também aumenta a componente fixa da fatura de eletricidade.
Antes de subir o escalão apenas por causa do carro, vale a pena analisar os consumos reais. A ERSE disponibiliza um Simulador de Potência Contratada para ajudar nessa avaliação.
Quanto tempo demora a carregar um carro elétrico em casa?
Depende principalmente de três fatores: quanta energia falta na bateria, a potência disponível no carregador e o limite de carregamento do próprio carro. Como aproximação, pode utilizar:
energia a carregar (kWh) ÷ potência (kW) = horas de carregamento
Se precisar de colocar 40 kWh na bateria:
| Potência | Tempo teórico para 40 kWh |
|---|---|
| 2,3 kW | cerca de 17h25 |
| 3,7 kW | cerca de 10h50 |
| 7,4 kW | cerca de 5h25 |
| 11 kW | cerca de 3h40 |
| 22 kW | cerca de 1h50 |
São valores teóricos. Na utilização real existem perdas, variações de potência e limitações impostas pelo automóvel.
Além disso, raramente um condutor chega a casa todos os dias com a bateria completamente vazia. Quem percorreu 40 ou 50 quilómetros pode precisar apenas de repor a energia utilizada nesse percurso.
Preciso de carregar até aos 100% todas as noites?
Não. Uma das vantagens do carregamento doméstico é precisamente poder repor regularmente apenas aquilo que foi utilizado.
Se o carro passa oito ou dez horas estacionado durante a noite, não é necessário escolher a maior potência disponível apenas para reduzir o carregamento para duas ou três horas.
Para muitos utilizadores, uma solução mais lenta consegue recuperar confortavelmente durante a noite a autonomia utilizada durante o dia.
Quem pode instalar uma wallbox?
Em Portugal, não deve ser simplesmente qualquer pessoa a ligar uma wallbox ao quadro elétrico.
A DGEG determina que os pontos de carregamento devem ser executados por uma Entidade Instaladora de instalações elétricas de serviço particular ou por um técnico responsável pela execução, devidamente registados.
Um técnico responsável pode assumir individualmente instalações até 41,4 kVA. Acima desse valor é necessária uma Entidade Instaladora habilitada.
Depois do trabalho, deve existir documentação da execução, nomeadamente uma declaração de conformidade ou um termo de responsabilidade, consoante o caso.
Esta é uma diferença importante em relação a simplesmente comprar uma wallbox numa loja ou na Internet.
Moro numa moradia. Preciso de autorização?
Numa moradia onde o equipamento fica dentro da propriedade privada não existe a questão da autorização de um condomínio. Isso não elimina, contudo, as regras aplicáveis à instalação elétrica.
Dependendo das características da instalação, poderá ser necessário projeto, inspeção ou outras intervenções antes de colocar o carregador em funcionamento.
É precisamente por isso que a avaliação inicial do técnico é importante.
E se morar num condomínio?
Também pode instalar um carregador. Segundo a DGEG, um condómino, arrendatário ou ocupante legal pode instalar um ponto de carregamento ou uma tomada própria para o veículo elétrico.
A intenção deve, no entanto, ser comunicada por escrito ao condomínio com pelo menos 30 dias de antecedência.
O condomínio não pode simplesmente recusar porque não quer carregadores. A oposição está limitada às situações previstas na legislação, como existir ou estar prevista uma solução partilhada equivalente, haver risco efetivo para pessoas ou bens, dificultar a circulação nas zonas comuns ou criar problemas de acessibilidade.
A wallbox tem de ser registada na DGEG?
Uma wallbox destinada ao carregamento privado do próprio veículo não transforma o proprietário num operador de carregamento público. Não existe, por esse simples facto, uma obrigação de o consumidor se registar como Operador de Pontos de Carregamento.
Podem existir, contudo, requisitos associados à instalação elétrica, como projeto ou inspeção, dependendo das características do local.
É diferente do registo dos profissionais e empresas que executam a instalação, que têm de estar devidamente habilitados.
Carregar em casa é mais barato do que na rua?
Pode ser, mas é necessário comparar preços concretos. Em casa, a conta depende sobretudo do preço por kWh do contrato de eletricidade e do horário escolhido.
Nos postos públicos, o preço pode depender do comercializador utilizado, do operador, da potência do posto e de outras componentes associadas ao carregamento.
Os carregadores rápidos e ultrarrápidos têm, no entanto, uma vantagem que a casa dificilmente consegue oferecer: recuperar muita autonomia em pouco tempo.
Por isso, os dois tipos de carregamento cumprem necessidades diferentes.
Em casa, o objetivo é normalmente aproveitar as horas em que o carro já estaria estacionado. Na rua, um carregador rápido é particularmente útil numa viagem ou quando não há várias horas disponíveis.
O que verificar antes de começar a carregar em casa?
Antes de comprar equipamento ou aumentar a potência contratada, confirme a potência AC que o automóvel aceita, o estado da instalação elétrica, a potência disponível em casa, se a alimentação é monofásica ou trifásica e a distância entre o quadro e o lugar onde o carro fica estacionado.
Se pretende instalar uma wallbox, também vale a pena decidir se necessita de gestão dinâmica de carga, integração com painéis solares ou programação por horários.
Num condomínio, trate ainda da comunicação antes de iniciar os trabalhos.
Afinal, qual é a melhor solução?
Para quem percorre poucos quilómetros e carrega ocasionalmente, uma tomada adequada e previamente avaliada pode ser suficiente.
Para carregamentos frequentes, uma wallbox oferece normalmente mais velocidade, controlo e capacidade de gerir a energia disponível em casa.
Mas a decisão não deve começar pela pergunta “qual é o carregador mais potente?”.
Deve começar por três questões:
Quantos quilómetros faço por dia? Quanto tempo o carro fica estacionado? Quanta potência tenho disponível em casa?
Responder a estas perguntas permite escolher uma solução que carregue o carro durante o tempo em que ele já está parado, sem gastar desnecessariamente numa wallbox demasiado potente ou num aumento da potência contratada que poderá nem ser necessário.
Carregar um carro elétrico em casa não precisa de ser complicado. O importante é garantir que a instalação é segura, dimensionar o carregamento para a utilização real e aproveitar, sempre que fizer sentido, as horas em que a casa consome menos energia.
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