Traduzir uma conversa exige mais do que encontrar palavras equivalentes noutra língua. No Dia Internacional da Tradução, a Google destacou o trabalho de três profissionais do Google Translate que testam funcionalidades do Translate com utilizadores, colaboram com comunidades linguísticas e procuram ajudar os modelos Gemini a reconhecer o contexto e as diferenças culturais.
A empresa afirma que combina os seus modelos Gemini com o conhecimento destes especialistas para produzir traduções mais naturais. A publicação mostra como esse trabalho é feito.
Testar se a tradução soa natural
Janneke começou a ensinar numa universidade internacional na Lituânia, em 2002. A aprendizagem da língua lituana levou-a a estudar a relação entre linguagem, identidade e pertença.
Ao longo de duas décadas de investigação em linguística, analisou a forma como a língua influencia a expressão e o comportamento ao longo da vida. Doutorada pela Universidade de Stanford, foi coautora do livro African American Language: Language Development from Infancy to Adulthood, distinguido com o Leonard Bloomfield Book Award da Linguistic Society of America.
Na Google, lidera a equipa que testa funcionalidades iniciais do Translate com utilizadores comuns. A intenção é perceber se as traduções correspondem à forma como as pessoas realmente comunicam, incluindo mudanças de sentido e nuances que não aparecem numa tradução palavra por palavra.
Suporte para línguas com poucos dados digitais
Isaac cresceu ligado à língua irlandesa através da região de Gaeltacht, na Irlanda, onde o idioma continua a ser falado como língua nativa. Em 2017, entrou para a Google Translate e passou a trabalhar na expansão do suporte a línguas com pouca representação digital.
Esse trabalho ajudou a acrescentar 146 línguas à plataforma, que disponibiliza atualmente quase 250. Isaac também colaborou com grupos de falantes de Inuktut no Canadá e ativistas da língua Santali no desenvolvimento de ferramentas de transliteração, que permitem ler e pronunciar palavras escritas noutro alfabeto.
Entre os projetos referidos estão ainda colaborações com académicos das Maldivas e profissionais de saúde no terreno em Timor-Leste e na Gâmbia. A sua área atual centra-se em línguas com poucos dados disponíveis para sistemas digitais, combinando a participação das comunidades com métodos de linguística computacional.
Modelos ajustados ao contexto linguístico
Harsh entrou para a Google em 2018 e trabalhou em ferramentas de linguagem, incluindo guias de pronúncia adaptados a diferentes sotaques e o verificador gramatical do Search. Há quase cinco anos, lidera a experiência de tradução do motor de pesquisa.
O seu trabalho procura levar o sistema a pedir contexto ao utilizador quando uma palavra ou expressão pode ter vários significados, de forma semelhante ao que faria um intérprete. Com a colaboração de especialistas humanos, Harsh ajusta modelos de linguagem de grande dimensão para avaliarem melhor a nuance e o contexto cultural.
A Google afirma que a combinação entre os modelos Gemini e a experiência de linguistas permite desenvolver ferramentas de tradução e aprendizagem para um maior número de línguas.
Segundo a Google, a combinação dos modelos Gemini com a experiência de linguistas ajuda a desenvolver ferramentas de tradução e aprendizagem para mais línguas. A empresa destaca também a colaboração com falantes e comunidades no trabalho com idiomas que têm poucos recursos digitais.
Fonte: Google blog