Quem vai passar cabos de rede pelas paredes pode sentir-se tentado a comprar a categoria mais alta disponível. Mas um cabo Cat8 não torna uma ligação à Internet mais rápida só por substituir um Cat6. A velocidade depende também das portas do router, do switch e dos equipamentos ligados à rede.
Para uma casa com equipamentos de 1 Gb/s, um Cat6 de qualidade costuma ser suficiente. O Cat6A ganha interesse numa instalação permanente quando se pretende deixar a cablagem preparada para 10 Gb/s até 100 metros. Já o Cat7 e o Cat8 raramente trazem uma vantagem prática numa rede doméstica.
A diferença entre Cat6 e Cat6A
O Cat6 suporta redes de 1 Gb/s em canais de até 100 metros. Também pode permitir 10 Gb/s em percursos mais curtos, mas essa utilização depende do comprimento e das condições da instalação. A Fluke Networks indica que, acima de cerca de 37 metros e até 55 metros, as interferências entre cabos passam a ser especialmente relevantes para 10GBASE-T.
O Cat6A foi desenvolvido para suportar 10 Gb/s até 100 metros, desde que o canal completo cumpra os requisitos da categoria. Isso inclui o cabo, as tomadas, os conectores e, quando existir, o patch panel.
Imagine que hoje liga um computador e uma televisão a portas de 1 Gb/s. O Cat6 chega para essa utilização. Se estiver a construir ou a renovar a casa e quiser preparar várias divisões para uma futura rede de 10 Gb/s, instalar Cat6A agora pode evitar a substituição dos cabos dentro de alguns anos.
Essa preparação só terá utilidade quando os equipamentos também suportarem velocidades superiores. Um cabo Cat6A ligado a duas portas de 1 Gb/s não cria, por si só, uma ligação de 10 Gb/s.
Cat7 tem mais MHz. Isso torna a rede mais rápida?
Não necessariamente. O Cat7 está associado à Classe F, com uma frequência especificada de 600 MHz, acima dos 500 MHz do Cat6A. Essa diferença não significa que uma ligação doméstica fique proporcionalmente mais rápida: ambos podem servir uma rede de 10 Gb/s.
Há ainda uma questão de compatibilidade. Uma instalação Classe F depende de componentes apropriados em todo o percurso. Comprar apenas um cabo anunciado como Cat7 e ligá-lo a tomadas comuns não transforma a instalação numa rede Classe F. Para uma casa em que o objetivo é chegar a 10 Gb/s, o Cat6A oferece uma escolha mais simples de planear.
Cat8 vale a pena numa habitação?
O Cat8 foi concebido para aplicações de 25 e 40 Gb/s em canais de até 30 metros, sobretudo em ligações entre equipamentos de centros de dados. Não é a continuação natural de uma instalação doméstica Cat6A de até 100 metros.
Se o router e o computador tiverem portas Gigabit, trocar o cabo que os liga por Cat8 não fará a velocidade passar de 1 para 40 Gb/s. Para quem está a passar cabos por várias divisões da casa, o Cat8 é, em regra, uma escolha sem benefício proporcional.
Comparação rápida
| Categoria | Frequência especificada | O que considerar numa casa |
|---|---|---|
| Cat5e | 100 MHz | Pode continuar a servir uma rede existente de 1 Gb/s |
| Cat6 | 250 MHz | Boa escolha para 1 Gb/s; 10 Gb/s pode ser possível em percursos curtos |
| Cat6A | 500 MHz | Escolha para planear 10 Gb/s até 100 m |
| Cat7 / Classe F | 600 MHz | Exige atenção à compatibilidade de todo o canal |
| Cat8 | 2.000 MHz | Pensado para aplicações especializadas em canais de até 30 m |
As distâncias referem-se ao desempenho de um canal corretamente instalado, não a uma promessa baseada apenas no nome impresso no cabo.
O que verificar antes de comprar o cabo
Para passar cabos por paredes ou tubos, confirme que está a comprar cabo de instalação com condutores de cobre sólido, adequado à categoria pretendida. Evite confundir cobre com CCA, sigla de Copper Clad Aluminium: trata-se de alumínio revestido a cobre. A Fluke Networks alerta que esses condutores não cumprem as normas de cablagem estruturada que exigem cobre.
Verifique também o espaço disponível nos tubos, as tomadas que pretende instalar e as características da bainha adequadas ao local. Se optar por cabo blindado, a blindagem deve ser considerada no conjunto da instalação, incluindo as terminações; comprar só o cabo blindado não resolve, por si, um problema de interferências.
Num projeto novo ou numa alteração das infraestruturas da habitação em Portugal, a instalação deve ainda respeitar as prescrições técnicas ITED aplicáveis.
E se tiver Wi-Fi 6 ou Wi-Fi 7?
A geração do Wi-Fi não determina, por si só, a categoria do cabo. Para ligar um ponto de acesso ao router ou ao switch, importa verificar a velocidade da porta Ethernet desse equipamento e a distância da ligação.
Por exemplo, um ponto de acesso com porta de 1 Gb/s não ganha uma porta de 10 Gb/s por estar ligado com Cat8. Para quem está a instalar cabos novos e quer preparar uma evolução futura da rede, o Cat6A pode fazer sentido; para uma ligação doméstica Gigabit, o Cat6 continua a ser uma opção prática.
A escolha final é simples: mantenha uma instalação Cat5e que já funciona bem a 1 Gb/s; considere Cat6 para uma nova rede doméstica Gigabit; escolha Cat6A quando quiser preparar uma instalação permanente para 10 Gb/s. Em qualquer dos casos, a qualidade do cabo, dos componentes e da instalação conta mais do que comprar a categoria com o número mais alto.